domingo, 26 de março de 2017

SEMINÁRIO REVITALIZAÇÃO DOS RIOS MARANHENSES E SUAS NASCENTES

O evento foi uma iniciativa do Instituto Cidade Solidária, patrocinado pelo gabinete do senador da República Roberto Rocha, com apoio do Ministério de Meio Ambiente (MMA) e do Movimento Ensinando e Aprendendo (MEA), realizado na última sexta, 24 de Março, no auditório Alberto Abdalla da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), em São Luís.

Teve as participações técnicas da CODEVASF – Companhia de desenvolvimento dos vales dos rios São Francisco, Parnaíba, Itapecuru e Mearim, da ANA – Agência Nacional de Águas, e da UEMA – Universidade Estadual do Maranhão.

Cabe ressaltar a presença da Prefeita Didma Coelho, acompanhada de Dr. Almir Coelho, Dr. Sampaio, João Batista Rodrigues e do chefe de gabinete José Maria Rodrigues Junior.

A minha impressão desse evento foi bastante positiva, pois tornou pública uma realidade duríssima, que é a degradação inexorável das principais bacias hídricas genuinamente maranhenses: Itapecuru, Mearim e Pindaré.

Ver o trato político correto dos problemas do nosso estado, como foi o caso, é animador e consolida nossa convicção que a política, sem politicagem, é o caminho para a solução de grandes problemas.

Para nós, vitorienses, cabe agora entendermos que os principais agentes políticos e técnicos, do país e do estado do Maranhão, estão empenhados e tornam públicas suas intenções e ações, que no médio e longo prazo vão evitar o colapso das nossas principais fontes de vida: a água dos rios maranhenses.

A parte da manhã foi dedicada às ações de ordem política e às assinaturas de convênios, e na parte da tarde ocorreram as apresentações técnicas, com demonstrações de casos de revitalizações que acontecem no Piaui e no São Francisco, além da apresentação do projeto Meandros, que está em andamento no baixo Mearim, a partir de Arari até o golfão, coordenado pelo Dr. Fabrício Brito Silva/UNICEUMA.

A CODEVASF e a UEMA firmaram parceria para gestão sustentável da Bacia do Itapecuru:
Os planos de trabalho de dois convênios com a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), que totalizam um investimento de R$ 5 milhões em benefício da bacia do Rio Itapecuru, foram assinados pela presidente da Codevasf, Kênia Marcelino, e pelo reitor da UEMA, Gustavo Costa, na presença do Senador Roberto Rocha e do Ministro do Meio Ambiente Sarney Filho.

O Senador Roberto Rocha também apresentou parte dos equipamentos de movimentação de terra (retro-escavadeiras, tratores e outros) disponibilizados para a CODEVASF, que estavam em exposição no pátio da FIEMA, e que serão utilizados pelo consórcio municipal do Itapecuru nos trabalhos de limpeza e desobstrução de rios e igarapés.

Neste primeiro momento teremos duas frentes de trabalho no Rio Itapecuru, e quando se vê que as coisas estão começando pelo rio vizinho, e não pelo nosso Mearim, cabe aqui explicar as razões dessa prioridade, do Itapecuru.

Se considerarmos todo o conjunto de cidades e vilas no médio e alto Itapecuru, o número de pessoas é muito maior do que as mesmas posições do Mearim, e se focarmos somente no baixo Itapecuru e no baixo Mearim, aí então o Itapecuru torna-se mais prioritário por dois aspectos:
  1. População dependente da água:
  • No Mearim: Vitória do Mearim e Arari.
  • No Itapecuru: Rosário e a captação do sistema ITALUIS, que abastece 45 % da população da Capital.
  1. Manutenção de um nível mínimo de água no final da estiagem(outubro e novembro):
  • O baixo Itapecuru tem a desvantagem de não contar com a retenção das águas que descem de montante (das nascentes), pois lá não tem o fenômeno das marés. O leito do rio é mais alto do que o nível do mar, até na cachoeira de Vera Cruz, abaixo de Rosário, por isso as águas escoam perenemente, sem qualquer retardo, e a tendência de abaixar o nível é muito maior do que no baixo Mearim, que fica no mesmo nível do mar.
Por conceito o rio Mearim é um rio maranhense (não é compartilhado com outro estado), portanto é um rio de domínio administrativo do governo estadual, o que não o exclui de programas federais, como o que foi anunciado pelo Ministro Sarney Filho, que será implantado pelo governo federal, focado na recuperação de todos os rios brasileiros, e que começará pelo Maranhão, conforme afirmou nesse seminário.

O momento para que o rio Mearim também seja incluído nessa agenda é agora, quando os sinais de poluição estão evidentes, principalmente nos meses de estiagem, na nossa região, do baixo mearim, quando ocorre um intenso processo de eutrofização (ver post neste blog).

Agora também o momento político é altamente favorável, pois a Prefeita Didma tem a lhe apoiar, o Senador da República Roberto Rocha, filho de uma ilustre Vitoriense, e que está altamente comprometido com esse programa.

O processo de revitalização de um rio é um processo abrangente, com múltiplas vertentes, envolvendo os seguintes aspectos:
  • Financeiro: depende de um aporte significativo de verbas.
    Político: sempre deverá ser feito através de consórcios intermunicipais.
  • Social: envolve o comportamento das populações de cidades e vilas.
  • Direito de propriedade: as nascentes estão confinadas em propriedades privadas.
  • Soluções técnicas inusitadas e até experimentais.
  • Necessidade de suporte tecnológico, de pessoal e equipamentos.
  • E necessita, principalmente, de uma grande fonte de energia para ser implementado: vontade política!

Outro aspecto a considerar, é que os resultados só serão perceptíveis a médio e longo prazo, isso se houver um ritmo constante, e eficácia das ações tomadas.

A NOSSA CIDADE SÓ EXISTE POR CAUSA DO RIO MEARIM.

segunda-feira, 13 de março de 2017

O DESCASO DA CAEMA EM VITÓRIA DO MEARIM - Parte 1

Abaixo, um resumo do que ocorreu em 01/11/2012 durante uma das crises de falta d' água em Vitória do Mearim. Um pouco de história nos ajuda a entender o que se passa no presente.

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VITÓRIA DO MEARIM - Promotoria vai propor TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) à Caema para normalizar fornecimento de água no município – 01/11/2012

...Os funcionários da empresa atribuíram os problemas relatados pelos moradores ao rápido aumento da população, ao grande desperdício causado pelos consumidores das partes mais baixas da cidade e à escassez de chuvas.

...Também destacaram a falta de autonomia financeira da Unidade de Negócios de Santa Inês e a falta da parceria com a Prefeitura de Vitória do Mearim para a resolução dos muitos problemas que têm acontecido no sistema da cidade.

...O gerente da Unidade de Negócios de Santa Inês informou que a Caema instalará uma bomba-motor, que ficará funcionando simultaneamente com outra bomba. Um terceiro equipamento ficará de reserva para o caso da ocorrência de problemas técnicos nos equipamentos.

...Por sua vez, os moradores presentes à audiência questionaram a cobrança abusiva na fatura das contas e destacaram que não se importam em pagar desde que haja o fornecimento regular.

Redação: Adriano Rodrigues (CCOM-MPMA)

Inicio esta análise esclarecendo dois pontos:
  1. O Ministério público fez seu papel constitucional, e ações deste tipo devem ser tomadas sempre que necessário, mas sabe-se que o resultado não depende de uma simples ação unilateral, no caso, do Ministério público.
  2. Os funcionários da CAEMA local não têm culpa da ineficiência operacional da empresa, pelo contrário, são as primeiras vítimas por estarem na linha de frente, em contato direto com os consumidores.

Análise das respostas da CAEMA durante a audiência em 2012.

Segundo a CAEMA, a falta de água em Vitória se devia a:

... o rápido aumento da população...
Argumento inconsistente, haja vista o crescimento demográfico de uma cidade como Vitória do Mearim seguir o mesmo parâmetro de todas as cidades da região, que é de 1,3% a.a., e esse fato não provoca falta de água crônica, em lugar nenhum do mundo. Todo projeto de distribuição de água potável deve ser dimensionado considerando esse parâmetro por um período de 20 anos, e esse sistema com a estação de tratamento, em 2012, tinha somente 9 anos (inaugurado em 2003), o que corresponderia a um aumento de apenas 11,7% da população de 2003.

… ao grande desperdício causado pelos consumidores das partes mais baixas da cidade..
Aqui temos que reconhecer como fato que realmente provoca falta d´água. E os moradores da parte alta não desperdiçam também, porque lá não deve chegar água por muitas horas durante o dia.

A CAEMA é campeã brasileira nesse quesito (dados da própria CAEMA): desperdício maior do que 50%, em TODOS os sitemas que opera. Algo está errado!
Este comportamento do usuário ocorre quando o sistema é desacreditado: todos deixam as torneiras abertas nos tanques ou vazilhames, para aproveitar a chegada da água, geralmente à noite ou de madrugada, e só as fecham pela manhã, ou nem chegam a fechá-las se já estiverem “secas” novamente.

A correção parcial deste problema, num sistema onde há muita interrupção do fornecimento, seria a orientação para o usuário instalar boia em todos os reservatórios, e isso deveria ser acompanhado diariamente pela CAEMA, com abordagens educativas. Sabe-se que este não é o forte da CAEMA.

Quanto ao gasto excessivo de água, por hábito, só a hidrometração pode corrigir. É uma solução delicada, pois não pode ser adotada em sistemas com muita interrupção do fornecimento, para não haver o fenômeno da “medição de ar”, e criar um sério problema administrativo, que irá
aumentar a insatisfação do consumidor, pois vai mexer indevidamente no seu bolso.

... a escassez de chuvas …
quando a CAEMA cita este fato como causador de falta d´água, num sistema abastecido pelo rio Mearim, é porque tem certeza de que sua produção não é suficiente, e conta com a ajuda de S. Pedro para encher reservatórios e cisternas. Aqui temos duas causas fundamentais interdependentes:
  • É claramente o reconhecimento de uma grande falha no dimensionamento do seu sistema.
  • A captação nos meses de estiagem é comprometida pela péssima qualidade da água do Rio Mearim, fenômeno cíclico que deveria ser levado em conta pela CAEMA, no conceito da captação de água bruta. Soluções técnicas, existem.

… a falta de autonomia financeira da Unidade de Negócios de Santa Inês …
Apesar de ser uma informação da época de outro governo (2012), é sim, um fato relevante, de total responsabilidade da CAEMA, e é certo que a nova gestão não vai alterar esse “modus operandi”, mesmo com toda boa vontade do atual Governador.

Isso também reflete falta de planejamento pró-ativo, que é o método gerencial em que evitam-se quebras inesperadas com um bom plano de preventivas e sobressalentes confiáveis à mão, ou conectados em stand-by (prontos para uso).

Ter recurso financeiro em caixa serviria somente para “acudir” nas corretivas emergenciais, ou seja, o famoso sistema quebra-quebra, não para manter um regime operacional confiável e suficiente a longo prazo.

… a falta da parceria com a Prefeitura de Vitória do Mearim para a resolução dos muitos problemas que têm acontecido no sistema da cidade.

Aqui está o retrato da situação em que há “dois responsáveis”: um sempre culpa o outro pelas falhas ocorridas. Tem que haver apenas um “dono do processo”. Uma situação desse tipo, põe um ponto final em qualquer discussão para sanar um problema, que vai continuar e vai aumentar com o tempo.

… a Caema instalará uma bomba-motor, que ficará funcionando simultaneamente com outra bomba. Um terceiro equipamento ficará de reserva para o caso da ocorrência de problemas técnicos nos equipamentos.

Não houve precisão na informação, pois numa ETA existem dois grandes bombeamentos:
  1. da água bruta;
  2. da água tratada;

Colocar mais uma bomba em paralelo significaria reforçar apenas um dos bombeamentos.

Numa Estação de tratamento de Água, o que define sua capacidade de produção é a etapa de “tratamento”, que fica entre os dois bombeamentos citados acima. São módulos em série (uma etapa após a outra) com a seguinte sequência: pré-cloração, decantação, balanceamento do ph com cal, filtração e cloração final, incluam-se também as paradas para manutenção e lavagem de filtros. Portanto, a capacidade de produção da ETA não depende somente de uma bomba a mais ou a menos.

Esse paliativo proposto deixou mais do que claro dois aspectos:
  • que o sistema é deficitário desde o projeto;
  • que somente naquele momento de aperto haveria um equipamento sobressalente (geralmente usado e prestes a quebrar), característica de falha gerencial gravíssima;

Passados 4 anos e alguns meses, fica a pergunta: houve algum resultado positivo em função desse TAC (Termo de Ajustamento de Conduta)? Há água nos bairros altos 24 horas por dia e todo dia da semana?

Se não houve melhora é porque a solução definitiva passa por outro caminho, que no meu ponto de vista, é a municipalização do sistema, juntamente com o seu correto dimensionamento (ampliação e melhorias).

No próximo post contarei a história de mais de meio século de sofrimento, as razões de Vitória do Mearim não ter ainda um serviço de fornecimento de água potável, e darei mais detalhes da necessidade URGENTE da municipalização desse serviço de utilidade pública.

sábado, 4 de março de 2017

Conjunto Musical SUPER V7



Esta é a história do Conjunto musical Super V7, de vitória do Mearim, que existiu entre 1970 e 1972, e que foi o primeiro "Conjunto Elétrico" vitoriense. Até então, tínhamos somente a banda de Seu Arico, um conjunto de sopro no São Lourenço, e alguns sanfoneiros.

Tudo começou em 1967 quando eu e alguns colegas nos reuníamos para “ensaiar” as músicas da Jovem Guarda, que se ouviam no rádio, como por exemplo, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys, Leno e Lílian, Deni e Dino, Roberto e Erasmo etc...
O local de nossos “ensaios” era na “casa nova” de tio Zequinha Barros, que à época estava em construção, e para dar mais brilho aos ensaios, pegávamos emprestado um tarol, da banda marcial do Ginásio CENECISTA.

Lembro que meu tio Jorge Barros, que já residia no Rio de Janeiro, e à época trabalhava na General Eletric (fábrica de lâmpadas), estava de férias de final de ano em Vitória, como fazia regularmente, soube da nossa iniciativa, e prontamente nos batizou de “Os Florestais Show”, prometendo que, na sua próxima vinda a Vitória, nos presentearia com uma guitarra. O conjunto Os Florestais, na verdade, nunca se apresentou em público, mas nossos ensaios eram muito animados. No início de 1968 esse grupo de amigos foi desfeito, pois fomos buscar outros horizontes em São Luis.

Acontece que, no final desse ano, para minha surpresa, tio Jorge Barros cumpriu sua promessa e trouxe uma guitarra elétrica Giannini, vermelha, lindona!! Na época, era o máximo. Acontece que o conjunto Os Florestais já estava desfeito, e o pior, eu ainda não sabia tocar guitarra, e ficava “babando” , de longe, sem poder curtir a bichinha. Só que, a existência daquela guitarra, guardada a sete chaves pelas minhas tias Maria Inês e Celeste Barros, junto com a “experiência” vivida com os animados ensaios de Os Florestais, me deram motivos para eu aprender a tocar e realizar o sonho de montar um conjunto musical.

Em março de 1969 fui morar na casa de Dona Eliza Chediack, no bairro São Francisco, que à época, era apenas uma ponta de terra com poucas casas, uma ou duas ruas, e a ponte José Sarney ainda estava em construção.

Artrogildo (Gigi) Chediack, filho de Dona Eliza, tinha um violão, mas como eu, também não sabia tocar, e o instrumento vivia guardado e sem utilidade.

Em agosto de 1969 me mudei para o bairro do Desterro para morar na pensão de Dona Hilda Pires Costa, e até então, eu não tinha aprendido a tocar violão. Como eu já estava integrado no ambiente da Escola Técnica Federal do Maranhão, onde era muito forte a atividade musical, e junte-se a isso a convivência com os filhos de Dona Hilda, Tânio, Washington e Walber, que já tocavam violão, era o impulso que faltava para eu finalmente realizar meu sonho de aprender a tocar.

Pedi emprestado aquele violão de Gigi Chediack, que estava até então sem serventia, comprei um “método de violão” numa banca da Praça João Lisboa e comecei o aprendizado, “trocando figurinhas” com os violonistas do Desterro, onde canheci Walfredo Jair, hoje grande seresteiro do Maranhão, e que veio a ser Crooner do nosso Super V7.



No meado de 1970 eu já tocava o suficiente para pensar formar um conjunto musical, e já nas férias de Julho comecei a buscar músicos que morassem em Vitória, preferencialmente que fossem jovens como eu e que encarassem o desafio de montar um grupo musical.

Claro que para montar um “conjunto elétrico” seria necessário, além dos músicos, os instrumentos e algum equipamento de som. Só que eu contava apenas com o sonho e a guitarra doada por tio Jorge Barros, que continuava guardada a sete chaves por minhas tias, tanto que nesse ínterim, eu praticamente não pude vê-la.

Agora eu precisava entrar em campo para “recrutar” os integrantes do novo Conjunto, considerando que a função de guitarrista seria feita por mim. Para a função de “tecladista” descobri um Sanfoneiro já pronto, um jovem músico profissional de forró, conhecido como Bidico, filho de uma família que morava no Alto da Pedra Banca, antes do povoado Coque. Bidico estudava em Vitória, no Ginásio CENECISTA, e morava na casa de Seu Elias Silva (padeiro), e foi por seu intermédio que conheci o Pistonista Osmarino (apelidado entre nós por Jagunço), filho de Deodato Santos (Saxofonista), e morador do povoado São Lourenço.

Bidico e Osmarino já tocavam “forró” pelo interior, juntamente com um panderista e vocalista chamado Tunico de Biné (Antonio Pereira do Nascimento), morador do bairro da Faveira, e que veio a ser o nosso baterista, depois de uma temporada de treinos, para se adaptar ao novo instrumento. Foi, sem dúvidas, um grande baterista. Nosso primeiro crooner foi Juquinha de Diquinho Cambel (José Raimundo Sá e Silva), e que também compunha lindas canções.

Esta foi a primeira formação do Conjunto Musical Super V7, que após uma semana de ensaios, estreou no final de 1970 tocando um “bailinho” na casa de Osmar Chaves, somente com instrumentos de sopro, uma sanfona "microfonada", uma bateria improvisada e uma guitarra.

  • Esse salão de Osmar Chaves era o local do Cinema, salão de bailes, e também tinha um serviço de alto-falantes, A Voz Independente, com os alto-falantes sobre a caixa d´água do SESP. Nessa época, em Vitória, quando qualquer evento público não tinha audiência, acabava precocemente, ou era muito desanimado, dizia-se então: “A porca de Osmar comeu!”. Esse jargão foi criado pelo talentoso humorista vitoriense, Zezéca de Rodolfo (José das Graças Gonçalves), por causa de uma porca braba e esfomeada, criada por Osmar Chaves, que comia tudo o que via pela frente, até bananeira.


O que tínhamos para as primeiras apresentações, além da guitarra presenteada por tio Jorge Barros, eram os instrumentos de sopro, de cada músico, e a sanfona de Bidico. Todo o resto era emprestado e improvisado: a bateria era montada com o Bumbo e pratos emprestados por seu Zé Franco ou Arãozinho Figueredo, tarol emprestado da banda marcial do CENEC, amplificadores, microfone e caixas de som eram emprestados por Arãozinho Faray, Dourindo Carvalho Nolasco, Padre Sérgio e Antonio Costa dos Anjos (Seu Antonio de Lavina). Até alto-falantes tipo “cornetão” a gente usava para ter mais volume.

Nessa época, Cristóvam Dutra Martins era o Prefeito municipal, e logo comprou duas caixas de som amplificadas, um contra-baixo, uma bateria, e microfones, o que melhorou bastante a nossa performance, pelo menos para ensaios.

Com a compra do Baixo, tínhamos que completar nosso quadro de músicos, então eu passei a tocar o Baixo, e a guitarra passou para Joãozinho (*), um guitarrista de S. Luís, de apenas 17 anos, vizinho de Juca Silva.



(*) Maestro João Gomes: fez uma brilhante carreira como músico, maestro e produtor musical em São Luís, onde é um profissional respeitado na área. Foi produtor de discos do Boizinho Tucum e de Raynon Jr.                                                                     https://www.facebook.com/1.AudioMastering
Foto do nosso reencontro, 46 anos depois do Super V7.


Como a coisa estava dando certo e havia a perspectiva de tocar fora de Vitória, resolvi trazer o cantor Walfredo Jair, meu parceiro do bairro do Desterro, em S. Luís, e essa formação fez as melhores apresentações do Super V7.

Tivemos também a participação do "veterano” Sinhô Lima (Antonio Eliziário de Souza), mestre do cavaquinho, que foi nosso baixista por algum tempo.

Em algumas festas de carnaval tivemos a participação de Vicente Braga, o trombonista por excelência, “Seu Bina” , músico arariense e craque no Sax Tenor, e Rubem Franco, um saxofonista explêndido. Tivemos também a participação do cantor vitoriense José Dias.

O nome do Conjunto “Super V7” veio em decorrência do número de sete integrantes e o “V” de Vitória do Mearim. Entre 1970 e 1972 fizemos apresentações em Vitória do Mearim, Arari, Monção, Laje Comprida, Igarapé do Meio, povoado Olho D' água, AABB de Pindaré Mirim e Clube da SUDENE em Zé Doca.

Nosso veículo rodoviário era a Caminhonetete Rural Willis, apelidada de “chandoca” , que foi de Cristóvam Martins e depois de Osmar Chaves.

Nosso motorista e “assessor técnico” era Ribamar (Bandeira), grande craque de futebol.

O nosso “faz-tudo” era Laudivino, um cidadão que morou na casa de Dr. Faray.
O nosso “assessor artístico” era o cidadão José das Graças Gonçalves (Zezéca de Rodolfo), já citado acima.

O equipamento de som que utilizávamos para as apresentações era da Prefeitura de São Luís, também emprestado, que era do conjunto Samanguaiás Boys (**), fundado pelo prefeito Cafeteira, que foi extinto com o término de seu mandato, em 1968. Esse equipamento estava sem uso e ficava sob a responsabilidade de Juquinha, um dos nossos cantores, e que era funcionário da secretaria de turismo da prefeitura de S. Luís. 
 

(**) Samanguaiá é um dos nomes dados ao marisco "sarnambi", muito comum em S.Luís, talvez daí esse nome inusitado, adotado pelo conjunto de Cafeteira.


Outra coisa interessante de relembrar é que a gente se sentia “constrangido” de tocar com uma sanfona, e então fizemos uma vaquinha para comprar um órgão, e a única coisa que achamos no comércio de S. Luís, parecido com um órgão, foi uma Pianola Hering, que tinha somente o timbre de sanfona.

O conjunto musical Super V7 só existiu pela grande dedicação e persistência de todos os seus integrantes, pela boa vontade das pessoas que nos emprestavam seus equipamentos, e principalmente, pela iniciativa do Prefeito Cristóvam Dutra Martins, quando comprou os equipamentos de som e os instrumentos que faltavam.



A musicalidade da minha família, pelo lado paterno:

  • Quirino Santos, meu bisavô – tocava rabeca.
  • Bazinho Barros, meu pai, tocava gaita e sanfona, que foi o primeiro instrumento que eu tive contato, apesar da resistência de Dona Mirian.
  • Paulo Barros, meu tio-avô, era músico e compositor de dobrados.

Outros parentes de meu pai, também músicos:

  • Dulcinea Barros Muniz (prima de meu pai), era organista da igreja de Nossa Senhora de Nazaré;
  • Lourival Coelho - Louro (primo de meu pai), foi trombonista;
  • Cleomenes Santos (sobrinho de meu pai), foi saxofonista;
  • Cirineu Coelho – músico da nova geração, atuante em Vitória;