domingo, 17 de dezembro de 2017

CINQUENTENÁRIO DA PRIMEIRA TURMA DE GINASIANOS



Este ano completam-se 50 anos da formatura da primeira turma de ginasianos, em Vitória do Mearim, que fizeram o “Curso Normal Ginasial” na escola denominada ‘Campanha Nacional de Educandários Gratuitos CNEG”, e que depois passou a denominar-se Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC. Era um curso noturno, e funcionava no prédio do Grupo Escolar Estado do Espírito Santo, na rua Urbano Santos.

Atualmente ainda existem escolas da rede Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC, que é pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, reconhecida de Utilidade Pública Federal pelo Decreto 36.505/1954 e registrada junto ao Conselho Nacional de Assistência Social desde 1951, como Entidade Beneficente de Assistência Social.

Fundada em 1943, na cidade de Recife/PE, como Campanha do Ginasiano Pobre, a CNEC nasceu do ideal de um grupo de estudantes universitários que, liderados pelo Professor Felipe Tiago Gomes, resolveu contrariar a situação instalada - a escola como privilégio de poucos - oferecendo ensino gratuito a jovens carentes. O trabalho voluntário de seus idealizadores se propagou pelo Brasil, comemorando adesões e compromissos que fizeram da Campanha do Ginasiano Pobre - que inicialmente abrigava pedidos de ajuda e orientações para a criação de unidades escolares - a Campanha Nacional de Escolas da Comunidade - reconhecida como o mais expressivo movimento de educação comunitária existente na América Latina.

Até o advento dessa escola, em Vitória do Mearim, ou em várias cidades interioranas do Brasil, o aluno pobre que concluísse o curso primário, parava de estudar e a opção lógica sempre era dedicar-se a aprender um ofício, para ganhar a vida, e assim, as perspectivas de ter uma formação escolar, média ou superior, eram praticamente nulas.

Essa primeira turma tinha uma grande diversidade de idade dos participantes, exatamente porque alguns já tinham concluído o curso primário há muito tempo e outros tinham concluído há menos tempo ou no ano anterior.

Nas imagens do convite, mostradas abaixo, vê-se que a lista de ex-alunos dessa primeira turma tem um grande número de pessoas, que apenas iniciaram o curso em Vitória, mas em seguida foram estudar em S. Luís, pois tinham condições para tal.

O ginásio Cenegista foi levado a Vitória do Mearim na administração de Urany Gusmão da Costa (Punin), e teve como colaboradores e entusiastas os cidadãos vitorienses relacionados abaixo, nas imagens do convite.

  • A todos que de alguma forma colaboraram com esse empreendimento, minha sincera gratidão.
  • Aos meus colegas de turma e aos professores e professoras, minha sincera homenagem, carinho e consideração.

Abaixo as imagens do convite da 1a. Turma de ginasianos formada em Vitória do Mearim, em 1967:





















































































quinta-feira, 17 de agosto de 2017

DISCUTA E ENTENDA POLÍTICA



Todos sabem que a única maneira de aprender qualquer coisa é “prestar atenção” nessa coisa, ver, ouvir, estudar, medir, discutir, perguntar a quem já conhece, e nunca fugir do tema.

Os “sábios” e “magos” antigos, para preservar somente com eles o poder do conhecimento, propagavam e faziam crer que os assuntos que eles dominavam não deveriam ser “discutidos”: bastava acreditar e seguir suas orientações. A essa prática chamamos de obscurantismo, que é privar as pessoas de determinados conhecimentos para que elas sigam cegamente aos comandos de quem conhece.

Por isso, até hoje se ouve o dito popular: “política e religião, não se discute”.

O conhecimento de um assunto traz clareza e fácil entendimento, o que permite que você tenha capacidade de escolha. E isso incomoda quem se acostumou a mandar e desmandar graças à boa fé e a desinformação das pessoas. Esse desconhecimento e preconceito com a política partidária é que permite que os péssimos políticos continuem a chegar na frente do povo (que não discute política) e mentir deslavadamente para renovar seus mandatos.

Sabem que sem informação é fácil comprar o enorme poder que eles têm. Sabem que sem informação podem usar o dinheiro público para tornarem-se ricos, e assim ganharem o “respeito” dos humildes, em vez de serem escorraçados, quando nas campanhas eleitorais vêm bater de porta em porta pedindo para continuarem no bem bom. Sabem que os inocentes que lhes elegem, esses nunca terão o que realmente o país poderia e deveria lhes propiciar.

A palavra “política” tem um significado abrangente:

  • inicia com o prefixo grego “poli”, que significa muitos, todos, diversos etc…

  • termina com o sufixo “ica”, que aparece no final dos nomes das ciências e das artes.

Com isso podemos dizer que significa a arte e a ciência que determinam a forma de convivência entre as pessoas. Existe na menor célula social, que é o casal, e sua prática vai se expandindo para a família, escolas, clubes desportivos, empresas, associações de moradores, municípios, partidos, governos locais, poderes constituídos e países.


Cada tipo de política tem suas características próprias, e pela sua utilização universal, percebe-se que não é um problema, ou causador de problema, pelo contrário, é uma garantia da convivência harmônica entre as pessoas.

A política doméstica é colocada em prática quando você junta a família para “combinar” várias normas que deverão ser cumpridas por quem de direito. Quando há uma quebra das normas, a política volta a ser praticada para negociar, punir, perdoar, enfim, manter as coisas funcionando de forma harmoniosa.

A política partidária, no mundo todo, sempre foi muito carregada de distorções por causa das características de cada cidadão que dela participa. Isso é decorrente do próprio indivíduo, e não da política como forma de representação e interação de várias pessoas. Para ser objetivo: existe político correto e político não correto e isso pode ser corrigido pelas escolhas, com conhecimento.

O cidadão pratica mal feitos por si mesmo, não porque pertença a uma determinada empresa, um determinado time , um determinado partido, uma determinada congregação religiosa. Portanto, as instituições, não são a causa dos malfeitos de seus membros.

A política partidária é a alma da democracia popular, pois permite que haja uma equalização da representatividade do cidadão na sociedade, e o voto popular é o mais poderoso instrumento desse tipo de representatividade. O voto, portanto, é o maior direito que o cidadão ainda dispõe para se manifestar democraticamente.

As pessoas quando divulgam que o voto (dos outros) é obrigação, portanto deveria ser facultativo ou anulado, querem tirar esse direito das pessoas mais simples e mais acomodadas, com o intuito de levar vantagem e permitir que os seus candidatos (ruins, via de regra) se elejam com pequeno número de votos.

Eles sempre comparecem para votar nos candidatos que os represente, mas não gostam que as outras pessoas, mais simples, votem nos candidatos que pensem diferente e que podem ser melhores para o país.

As pessoas que divulgam a tese de que a política deve ser desprezada, também estão agindo de má fé, contra a democracia. Geralmente têm vontade de ver Ditadores no poder, mesmo que depois eles mesmos sofram as consequências dessa escolha.

A grande mídia e a casta (ricos e poderosos = mercado) se especializaram em demonizar o voto e a política, tudo para excluir a maioria das pessoas de boa fé do processo de representação democrática, pessoas corretas, mas que não têm percepção dessa jogada.


Hoje, qualquer pesquisa eleitoral sempre vai apontar um número absurdo de abstenção e voto nulo, sinalizando que a estratégia da grande mídia e dos poderosos está dando certo: o incômodo voto do povão (que sempre vota melhor) está sumindo!

As pessoas que acreditam nessa jogada, achando que abstenção e voto nulo vai evitar que os políticos ruins se elejam, estão completamente enganadas: quando se deixa de votar no menos ruim, quem se elege é o pior!

A democracia popular é o melhor sistema de representatividade, mas carrega consigo um terrível paradoxo: o uso indevido ou distorcido da liberdade de ação e de expressão pode ser o veneno para seu enfraquecimento e até sua extinção, dando lugar a um sistema ditatorial.

Portanto, preservar a democracia é se manter atento às investidas contra a política e contra o direito do voto popular, procurar sempre conhecer tudo sobre política, sem confrontos inúteis, mas com bom senso, e sabendo do valor que esse conhecimento representa na sua vida.

TUDO NA NOSSA VIDA DEPENDE DE POLÍTICA.

domingo, 23 de abril de 2017

DISCURSO DE POSSE NA AVL





Estou imensamente honrado por pertencer a esta casa, representativa da força criativa do povo Arariense e Vitoriense, e por isso tenho que compartilhar essa honra com diversas pessoas, Ararienses e Vitorienses, que de certa forma me ajudaram a chegar aqui.



Os valores mais sagrados para o ser humano são aprendidos na infância, no convívio diário com a família, com os amigos e parentes, com os professores, e no convívio com os membros de sua congregação religiosa, seja ela qual for.



Nasci e passei minha infância e adolescência aqui em Vitória, numa época em que se vivia de forma simples, conforme resumirei em seguida:

  • Tínhamos a praça Rio Branco, que era um bonito campo, e que aos poucos foi ganhando calçamento, mas que sempre foi o nosso campo de futebol, nosso local de empinar papagaios (sem rabiola), o local de encontro das escolas de samba, no carnaval, e também o local onde eram montadas as barracas de palha, no festejo de Setembro.
  • Tínhamos o rio Mearim como o elemento central do dia-a-dia da cidade (com certeza, já poluído por ter muitas cidades ribeirinhas):
    • onde lanchas, batelões e barcos a vela sempre atracavam nas rampas, com desembarque ou embarque de cargas e passageiros. Quando se ouvia a zoada dos motores, ao longe, e depois o apito, anunciado que estavam no estirão de chegada, todos corriam e se aglomeravam na rampa da Praça, para comemorar a chegada das lanchas com passageiros, que vinham da Capital;
    • onde as mulheres lavavam roupas enquanto conversavam sobre suas vidas e a vida da cidade, mas sempre atentas à chegada da maré;
    • onde os homens, mulheres e crianças enchiam água para suas casas;
    • onde passeávamos de canoa;
    • onde pescávamos;
    • onde nadávamos;
    • onde Pelé de Faray, atualmente Pelé da rapadura (Sr. José Martins Gomes) demostrava sua habilidade de melhor remador da baixada maranhense;
    • e onde os banhos eram momentos de diversão, com os mais afoitos saltando dos toldos das lanchas maiores, ou saltando dos galhos das árvores, na preamar;
  • Tínhamos pescadores fazendo suas tarrafas e redes de pesca.
  • Tínhamos tecelões que faziam redes de dormir.
  • Tínhamos alfaiates e costureiras.
  • Tínhamos sapateiros, ferreiros e armeiros;
  • Tínhamos artesãos que faziam meiasaba, abano, cofo e balaio.
  • Tínhamos quebradeiras de coco babaçu.
  • Tínhamos carro de boi.
  • Tínhamos as brincadeiras infantis de andar nas latas ou de pernas-de-pau, jogar chucho, jogar bolinhas ou petecas, jogar sopapo, empurrar uma roda com uma tabica ou em gancho, puchar o colega na caçamba, que caia das palmeirinhas, e nas noites de luar, os meninos ficavam nas brincadeiras de correr, enquanto as meninas entoavam lindas cantigas de roda;
  • Já adolescentes, tínhamos os bailinhos no coreto, ao som da radiola portátil de João Teles, a pilha, e às vezes os bailinhos comemorativos de aniversário, nas casas dos colegas. E foi justamente num desses bailinhos, em 1970, provavelmente em Julho, na casa de D. Iolanda, comemorando o aniversário da Confreira Amparo, que comecei a namorar Dagmar.
  • E tínhamos também as serestas com Rui Viana, ou com o confrade Antonio Moyses Neto (*) e Zé Vieira;

(*) Antonio Moyses Neto, nosso Confrade, a quem quero render minhas homenagens, pois sempre o tive na conta de meu irmão mais velho, e assim, sempre se portou comigo.



Mas como tudo tem princípio, meio e fim, numa noite de Dezembro de 1967 eu recebi o boletim de aprovado, como concludente do curso normal-ginasial, e enquanto meu pai e minha mãe ainda estavam com os outros pais e alunos, aguardando o final da solenidade de entrega das notas, eu voltava para casa para empreender o meu plano de vida que, de há muito tempo, estava desenhado na minha cabeça: eu iria estudar Eletromecânica na Escola Técnica Federal do Maranhão.



Nessa mesma noite, antes que meus pais retornassem para casa, eu já estava viajando para Arari, na lancha de seu Diquinho “Pirulito”, levando somente as poucas roupas que eu tinha, algum dinheiro, dado por Dona Venância Bogéa, minha vó materna e minha protetora, e consegui a permissão de Seu Pirulito, para eu dormir na lancha, pois iria pegar o ônibus de Nogueira, às 6 da manhã, para São Luís.



Graças a Deus todo o meu plano se realizou, e com a minha primeira profissão, praticamente construi a minha vida e da minha família. Com a evolução tecnológica, e com o meu crescimento profissional, aos 47 anos voltei para mais uma etapa de formação, na mesma Escola Técnica Federal, só que então, denominada CEFET, onde fui graduado em Eletrônica Industrial.



A minha atividade, como músico, está publicada em meu blog, mas posso acrescentar que apesar de ter passado muitos anos sem contato com a música, a partir de 2009, quando me aposentei, decidi voltar a tocar, pois ponderei que seria um enorme descaso com o dom que Deus me deu, se me mantivesse afastado da música.



Então, comprei uns instrumentos, e recomecei o meu aprendizado, gravando músicas dos anos 60 e 70, tendo a companhia de Dagmar, emprestando a sua voz, e assim, consegui me manter ocupado, e também pude colaborar com algumas marchinhas para o carnaval vitoriense.



Eu tinha muita vontade de compor um dobrado, pois sou admirador de orquestras de sopro, e felizmente já realizei esse sonho, com o dobrado 19 de abril, em homenagem ao aniversário de nossa terra. Outra música que eu desejava muito compor era um louvor à nossa padroeira, e também já está pronta, que é a canção Senhora de Nazaré.



Vou aproveitar este momento de felicidade para homenagear Dagmar, nossos filhos e netos, e também a todos os meus irmãos.



Homenagear, in memoriam, os meus pais e avós, que me deram uma sólida base de princípios e valores, e foi com Dona Venância Bogéa que aprendi uma grande lição de vida, que é o relacionamento respeitoso e igual com todas as pessoas, acima de qualquer diferença ou preferência. Como exemplos, posso citar que ela era católica devotada, mas sempre se relacionou muito bem com os Pastores evangélicos e com várias pessoas da congregação. Era amiga, por igual, dos chefes políticos locais, de qualquer lado, e deles recebia o mesmo trato, e isso se refletia na nossa comunidade, onde ela era querida e admirada.



Quero homenagear os Ararienses que cruzaram meu caminho, de forma colaborativa, como o já citado, Sr. Diquinho “Pirulito”; homenagear o Médico e Professor, Dr. João de Oliveira Prazeres, cidadão Arariense e Vitoriense, que foi companheiro de quarto, quando éramos estudantes, e era meu tutor, junto à Escola Técnica Federal; homenagear a Sra. Hilda Pires Costa, dona da Pensão onde morávamos, que cuidava da gente de forma maternal; homenagear Manoel de Jesus Costa, dono da lancha Fé em Deus, que conheci na infância, e que anos depois, reencontrei em Macapá, onde por cinco anos tivemos uma convivência de grandes amigos; homenagear José Francisco Pestana (in memoriam), e a todos os outros ararienses, colegas de VALE, excelentes operadores de máquinas ferroviárias.



É público e notório que os nossos coirmãos ararienses sempre foram destaque na arte da navegação fluvial ou marítima, e agora torno público, que também são destaque na operação de equipamentos de construção e manutenção ferroviária.



Da mesma forma, quero homenagear os vitorienses importantes na minha vida, começando pelo Sr. Miguel Moysés, que brilhava os olhos quando o assunto era a criação de um curso ginasial em Vitória, e juntamente com José Ribamar de Matos, Padre Eliud e Punim, criaram a Escola Normal Ginasial Cenecista, em 1964.



E por falar na Escola CENECISTA, aproveito para homenagear a todos os professores da nossa primeira turma da Escola Cenecista, através das Confreiras e Professoras Dona dos Reis, Dona Darcy e Dona Fátima, e estendo as homenagens a todos os colegas de turma, pois no final deste ano, de 2017, completam-se 50 anos de nossa formatura.



Quero fazer uma homenagem especial a uma turma de estudantes vitorienses, que iniciou o 2° grau em 1977, portanto há 40 anos, no Colégio Ana Bogéa, onde tinham algumas professoras, que já lecionavam, e que ali iniciavam o curso Normal. São elas:


Claudete Rodrigues Jardim

Ana Clara Coelho

Rosimar Alves Silva

Elizabete Andrade

Silenes Cavalcante

Sebastiana Garros

Iolanda Leite Coelho

Maria Edite Batalha Rodrigues



Como detalhe, o único aluno era Ideraldo de Sousa Vieira.



Saibam que foi uma grande honra ter sido professor de pessoas tão importantes da nossa comunidade, e quando completei 50 anos de idade, sentado novamente num banco de faculdade, à noite, após uma jornada de trabalho, sempre lembrava dessa turma, para me dar força, e continuar.



Quero homenagear os vitorienses Juvenal Torres Coelho e Abelardo Pereira, como líderes de uma fantástica e vitoriosa aventura, chamada Macapá: vários vitorienses mudaram-se para aquela cidade e lá criaram raízes, e hoje formam, com filhos e netos, uma imensa comunidade vitoriense.



Um agradecimento carinhoso ao Ludovicence Benedicto Ferreira de Barrros e Vasconcellos Neto, comandante de terra, mar e ar, meu colega de Escola Técnica desde 1968, que sempre se portou como um verdadeiro amigo, me mostrando os caminhos e oportunidades, através dos quais e das quais, atravessei várias etapas da minha vida profissional. Hoje somos aficionados por navegação aérea, e voamos juntos, de vez em quando.



Agora quero lhes falar sobre o meu antecessor, JOSÉ DE RIBAMAR DUARTE, “Tio Zeca”, que nasceu no povoado de Lapela, em 1924, na condição de vitoriense, pois ali ainda era nosso município.



Não o conheci pessoalmente, o que lamento, mas seu histórico, hoje registrado na AVL, é simplesmente admirável, e muito conhecido, haja vista ser cantado por todos os vitorienses, com a canção Soberano, nosso hino municipal, uma de suas obras.



De linguagem simples e popular, seu pendor lhe levou a descrever os fatos do dia-a-dia na forma de versos e canções. A música soprava as velas do seu barco da vida, e assim, vencia as turbulências que a todo vivente, afligem.



Seu banjo foi lenitivo e companheiro nas muitas noites de solidão e vigília, que enfrentou por dever profissional, assim como também, foi o seu passaporte para o sucesso. Não foi preciso o saber dos livros para lidar bem com as palavras, aprendeu com a vida, que quanto mais simples o falar, mais compreensivo será, aos ouvidos do povo.



Cidadão do mundo, teve a sorte de compartilhar sua arte com grandes nomes da música maranhense, e teve o privilégio de transmitir seu dote musical a muitas pessoas, em muitos lugares.



É um imenso desafio assumir a cadeira 37 da AVL, pois terei que honrá-la como sucessor de tão ilustre vitoriense. Aos seus familiares transmito o meu carinho e meu compromisso de preservar o legado do nosso querido “Tio Zeca”.



A cadeira 37 da AVL, que ocuparei a partir de hoje, tem como patrono o Sr. Lourenço Pereira Pinto,  um ilustre e culto cidadão vitoriense, que de 1901 a 1987 percorreu uma trajetória brilhante, partindo do povoado de Santa Cruz, lutando bravamente pela sobrevivência e pelo seu aprendizado.



Em registros no arquivo nacional, de 1929, portanto aos 28 anos de idade, aparece como ferreiro, juntamente com Quirino d'Anunciação dos Santos, Cirineu Cotrim dos Santos, Domingos José Marinho, Hermógenes Marinho e Pedro Figueiredo de Barros, meu avô.



Nos mesmos registros, de 1931, aparece como 2° suplente de Juiz seccional, da Justiça Federal, em Vitória do Mearim.



Foi também músico civil e militar, instrumentista e compositor, foi comerciante e proprietário rural, e aos 49 nos de idade, foi prefeito Municipal do imenso município de Vitória do Mearim.

E por conta de arcar com as despesas da sua campanha eleitoral, praticamente se desfez de parte do seu patrimônio, havido como comerciante e proprietário rural.


Graças às informações colhidas e divulgadas pela AVL, muita gente hoje já conhece algo sobre sua vida, mas aproveito e citarei alguns dos seus feitos, como Prefeito Municipal de Vitória, por apenas 2 anos:


  • Luz elétrica, pública e domiciliar na sede, em 1952.
  • O primeiro caminhão do município.
  • Instrumentos musicais para a banda municipal.
  • Finanças do município com contabilidade precisa e publicada, apenas pelo sentimento de respeito à coisa pública, haja vista que à época, não era essa a prática, pois não havia o rigor contábil e fiscalizatório, adotado atualmente.


A respeito da luz elétrica, gostaria de relembrar que esta foi a primeira tentativa de colocar esta utilidade para o público em geral, mas lembrando que os chefes políticos da época, que dependiam de seus serviços de alto-falantes, como veículos de comunicação, já possuíam pequenos motores de luz: Padre Eliud, para fazer funcionar a Voz da Vitória, que tinha os projetores de som instalados no cume da igreja matriz, e Seu Antoninho Costa, para fazer funcionar a Voz Popular Vitoriense, com os projetores de som instalados num mastro de madeira, em frente ao casarão de pedras, onde funcionava o Elite Bar, sob o comando de Bazinho Barros.



Lembrando a quem viveu essa época, e para conhecimento dos mais novos, a respeito da luz elétrica em Vitória, seu Bazinho Barros participou tecnicamente dessa primeira implantação, do prefeito Lourenço Pinto, participou da segunda implantação, de iniciativa do prefeito Urany Costa (Punim) em 1963 e em seguida, da terceira implantação, do sistema da CERNE (Companhia de eletrificação rural do nordeste), em 1966, órgão do governo federal, e que foi substituído posteriormente pela CEMAR, em 1973.



Portanto, Senhoras e Senhores, este é o perfil do meu Patrono, Sr. Lourenço Pereira Pinto, e aqui deixo o meu carinho e reconhecimento aos seus familiares, prometendo honrar a cadeira 37 da AVL.



Para concluir, quero informar que consegui restaurar as partituras do lindo dobrado Capitão Pedro José Lopes Gonçalves, de sua autoria, e fiz uma gravação do mesmo, que ouviremos agora.



Muito obrigado a todos.



Vitória do Mearim, 21 de Abril de 2017




Pedro Barros Neto

Link para a canção "Senhora de Nazaré":
https://soundcloud.com/pedro-barros-neto-880577778/senhora-de-nazare

Link para o dobrado "19 de Abril": 
https://soundcloud.com/pedro-barros-neto-880577778/dobrado-19-de-abril

segunda-feira, 10 de abril de 2017

ABASTECIMENTO DE ÁGUA DE VITÓRIA DO MEARIM

A CAEMA é uma empresa de economia mista, cujo sócio majoritário é o Estado do Maranhão. Foi criada em 1966, simultaneamente com todas as outras companhias estaduais similares do Brasil, para atender a execução do Plano Nacional de Saneamento – PLANASA do governo federal da época.

Sua atuação era regida por normas do Ministério do Interior, que determinavam a exclusividade do extinto BNH – Banco Nacional de Habitação como agente financiador das obras de saneamento em todo país.
Iniciou com perfuração de poços e construção de chafarizes nas cidades do interior maranhense, com recursos repassados pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM, e Secretaria de Desenvolvimento do Maranhão – SUDEMA.

A partir de 1967 a CAEMA partiu para um arrojado programa de implantação de abastecimento de água no Maranhão, “nadando” em recursos oriundos do BNH e com projetos bem elaborados.

Infelizmente o município de Vitória do Mearim ficou fora desses programas, pois estava sob domínio da Fundação SESP (hoje FUNASA), desde 1960, e ficou “patinando” por muitos anos, tentando colocar uma gota d´água na torneira, e não conseguia.

Trabalhei na CAEMA de 1971 a 1976, e enquanto eu ajudava a implantar vários sistemas de água em outras cidades, aqui em Vitória a coisa estava há mais de dez anos só na tentativa e erro, e a gente bebendo água do rio (que nessa época já era contaminada), e sonhando em beber uma água de qualidade, como a que tinha no “poço da bomba” (*).

(*) Do outro lado da “Lagoa”, hoje a praça da Santa, entroncamento da estrada de Viana, ficava o primeiro poço “municipal”, conhecido como poço da bomba. Era um poço raso , dentro do juçaral ali existente, e que tinha uma água límpida, do lençol superficial.

Lembro que a década de 60, sob domínio do SESP, foi decepcionante pelo aspecto técnico, e catastrófico pelo lado humano:
  • a construção do primeiro reservatório (caixa de água) era feita em ritmo lento e improvisado, e demorou anos para ser concluído (uma obra que fazíamos em 60 dias na CAEMA), e durante sua construção houve um acidente com vítima fatal, na pessoa do Engenheiro responsável, quando o elevador despencou de uma altura de 15 metros, com pessoas e materiais.
  • a sondagem de água subterrânea também era decepcionante(**). A equipe só tinha de aproveitável o excelente futebol jogado pelo encarregado, Sr. Álvaro, mas que lá na sondagem, que determinaria a perfuração de um poço artesiano, ia de mal a pior, até que meses depois veio o diagnóstico menos esperado: a água subterrânea era salobra, portanto essa fonte de abastecimento de água estava descartada, e só restava o rio Mearim.

(**) o local dessa sondagem foi no final da Rua de Nazeré (beco da igreja), na margem da “Lagoa”, já citada acima.

O certo é que o SESP nunca conseguiu fazer um sistema tecnicamente correto, até que nos anos 80 a CAEMA assumiu o sistema, só que havia uma grande diferença: não tinha mais o “apoio financeiro” que tinha lá no iníco, pois todas as obras nos outros municípios já estavam encerradas, e os sistemas operavam a plena capacidade. Vitória do Mearim ficara para trás, desde a largada.

O histórico da CAEMA em Vitória do Mearim, até os dias atuais, também é decepcionante. E para provar esta afirmação, não é preciso muito esforço: a memória popular é testemunha viva, assim como as fotos deste post, e do anterior, feitas em fevereiro de 2017.





A CAEMA recebeu um sistema precário, e no passo de tartaruga foi colocando pequenas melhorias.

Nesse ínterim, construiu somente um novo reservatório de 700 m³, e por muitos anos a captação foi feita por uma bomba montada numa “balsa” improvisada ( igual à balsa atual: uma gambiarra), e tanto a balsa, como a bomba, eram campeãs de falhas, e frequentemente ficavam paradas por vários dias, aguardando manutenção. Não tinham sobressalentes. Afinal, se faltar água, basta ir ao rio (contaminado), encher suas vasilhas de água e tomar um bom banho.

Somente em 12 de junho de 2003 é que foi inaugurada a atual Estação de Tratamento de Água (ETA), mas até hoje o sistema ainda é precário em todos os aspectos: captação, tratamento, distribuição, reservação, controle de perdas, e principalmente, o regime de fornecimento e a confiabilidade dos equipamentos.

Para não perdermos as contas, a inauguração da atual estação de tratamento ocorreu depois de 43 anos, desde o início desta história.

O regime de fornecimento traduz como a água está disponível nos domicílios, ao longo do tempo. A CAEMA, com o passar dos anos, foi se especializando em deixar faltar água em todas as cidades onde opera o sistema, o que é hoje uma característica cultural da empresa. 

Isso surgiu em função do monopólio da prestação do serviço, da relação de “camaradagem” entre os gestores municipais e a empresa, politicagem para não desgostar o (a) Governador(a), e vice-versa, e assim foi se consolidando, a ponto de se tornar sua marca registrada.

 
A falta de água, como problema crônico, é consequência da baixíssima confiabilidade dos equipamentos, da precariedade do método e da logística de manutenção, da falta de redundância no bombeamento (bombas de reserva conectadas em paralelo), da falta de sobressalentes nos centros de reparos, pelo alto nível de perdas de água nos domicílios ou na própria rede de distribuição, da falta de armazenamento da água bruta, que nem existe, e da água tratada, pois só tem um reservatório, quando deveriam ser quatro (mostrarei no próximo post).

Os operadores locais são competentes e dedicados, mas sabem que seu comando não dá resposta efetiva nem a tempo, além de colocá-los sob fogo cerrado de críticas, sempre que ocorre uma falha.

A água potável deve estar disponível nos domicílios 24 horas por dia, no maior tempo possível durante um ano. Este é o regime de fornecimento correto, e para que isso ocorresse, seria necessário uma guinada de 180 graus no modelo gerencial consolidado pela CAEMA, o que está praticamente fora de cogitação.

Esse regime de fornecimento correto não é difícil ou caro, pois dependente muito mais de atitude e do entendimento da missão que tem um serviço de abastecimento de água. É tão simples e rotineiro, que as empresas que têm sistemas de água próprios, como ALUMAR e VALE, por exemplo, ou empresas especializadas em saneamento, como a ODEBRECHT Ambiental, cumprem esse regime com a maior naturalidade e baixo custo.

Qual a necessidade que há de uma cidade com mais de 20.000 habitantes ficar submetida a um descaso desse porte, por décadas a fio? Nenhuma!

Meu ponto de vista sobre gestão é de que o responsável por um processo conheça o que está fazendo (métodos, meta de produção, qualidade intrínseca e entrega do produto), se sinta incomodado quando a meta não é alcançada, e tome atitude de dono para fazê-lo funcionar bem e a tempo. Se o prestador do serviço não se enquadrar dentro destes princípios, nunca terá êxito.

Como a Prefeitura é de direito o órgão responsável pelo saneamento básico do município (não o Estado), essa precariedade enorme e desgastante que virou a rotina da CAEMA em Vitória do Mearim poderia ser corrigida com a Municipalização imediata da Operação do sistema ( diferente de privatização).

No próximo post tratarei dos problemas existentes no nosso sistema e soluções sugeridas, e você saberá também da mais nova pérola, que é a irreversível privatização da CAEMA.

Conclusão: O nosso sistema de abastecimento de água começou improvisado em 1960, e improvisado está, em 2017.
 





domingo, 26 de março de 2017

SEMINÁRIO REVITALIZAÇÃO DOS RIOS MARANHENSES E SUAS NASCENTES

O evento foi uma iniciativa do Instituto Cidade Solidária, patrocinado pelo gabinete do senador da República Roberto Rocha, com apoio do Ministério de Meio Ambiente (MMA) e do Movimento Ensinando e Aprendendo (MEA), realizado na última sexta, 24 de Março, no auditório Alberto Abdalla da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), em São Luís.

Teve as participações técnicas da CODEVASF – Companhia de desenvolvimento dos vales dos rios São Francisco, Parnaíba, Itapecuru e Mearim, da ANA – Agência Nacional de Águas, e da UEMA – Universidade Estadual do Maranhão.

Cabe ressaltar a presença da Prefeita Didma Coelho, acompanhada de Dr. Almir Coelho, Dr. Sampaio, João Batista Rodrigues e do chefe de gabinete José Maria Rodrigues Junior.

A minha impressão desse evento foi bastante positiva, pois tornou pública uma realidade duríssima, que é a degradação inexorável das principais bacias hídricas genuinamente maranhenses: Itapecuru, Mearim e Pindaré.

Ver o trato político correto dos problemas do nosso estado, como foi o caso, é animador e consolida nossa convicção que a política, sem politicagem, é o caminho para a solução de grandes problemas.

Para nós, vitorienses, cabe agora entendermos que os principais agentes políticos e técnicos, do país e do estado do Maranhão, estão empenhados e tornam públicas suas intenções e ações, que no médio e longo prazo vão evitar o colapso das nossas principais fontes de vida: a água dos rios maranhenses.

A parte da manhã foi dedicada às ações de ordem política e às assinaturas de convênios, e na parte da tarde ocorreram as apresentações técnicas, com demonstrações de casos de revitalizações que acontecem no Piaui e no São Francisco, além da apresentação do projeto Meandros, que está em andamento no baixo Mearim, a partir de Arari até o golfão, coordenado pelo Dr. Fabrício Brito Silva/UNICEUMA.

A CODEVASF e a UEMA firmaram parceria para gestão sustentável da Bacia do Itapecuru:
Os planos de trabalho de dois convênios com a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), que totalizam um investimento de R$ 5 milhões em benefício da bacia do Rio Itapecuru, foram assinados pela presidente da Codevasf, Kênia Marcelino, e pelo reitor da UEMA, Gustavo Costa, na presença do Senador Roberto Rocha e do Ministro do Meio Ambiente Sarney Filho.

O Senador Roberto Rocha também apresentou parte dos equipamentos de movimentação de terra (retro-escavadeiras, tratores e outros) disponibilizados para a CODEVASF, que estavam em exposição no pátio da FIEMA, e que serão utilizados pelo consórcio municipal do Itapecuru nos trabalhos de limpeza e desobstrução de rios e igarapés.

Neste primeiro momento teremos duas frentes de trabalho no Rio Itapecuru, e quando se vê que as coisas estão começando pelo rio vizinho, e não pelo nosso Mearim, cabe aqui explicar as razões dessa prioridade, do Itapecuru.

Se considerarmos todo o conjunto de cidades e vilas no médio e alto Itapecuru, o número de pessoas é muito maior do que as mesmas posições do Mearim, e se focarmos somente no baixo Itapecuru e no baixo Mearim, aí então o Itapecuru torna-se mais prioritário por dois aspectos:
  1. População dependente da água:
  • No Mearim: Vitória do Mearim e Arari.
  • No Itapecuru: Rosário e a captação do sistema ITALUIS, que abastece 45 % da população da Capital.
  1. Manutenção de um nível mínimo de água no final da estiagem(outubro e novembro):
  • O baixo Itapecuru tem a desvantagem de não contar com a retenção das águas que descem de montante (das nascentes), pois lá não tem o fenômeno das marés. O leito do rio é mais alto do que o nível do mar, até na cachoeira de Vera Cruz, abaixo de Rosário, por isso as águas escoam perenemente, sem qualquer retardo, e a tendência de abaixar o nível é muito maior do que no baixo Mearim, que fica no mesmo nível do mar.
Por conceito o rio Mearim é um rio maranhense (não é compartilhado com outro estado), portanto é um rio de domínio administrativo do governo estadual, o que não o exclui de programas federais, como o que foi anunciado pelo Ministro Sarney Filho, que será implantado pelo governo federal, focado na recuperação de todos os rios brasileiros, e que começará pelo Maranhão, conforme afirmou nesse seminário.

O momento para que o rio Mearim também seja incluído nessa agenda é agora, quando os sinais de poluição estão evidentes, principalmente nos meses de estiagem, na nossa região, do baixo mearim, quando ocorre um intenso processo de eutrofização (ver post neste blog).

Agora também o momento político é altamente favorável, pois a Prefeita Didma tem a lhe apoiar, o Senador da República Roberto Rocha, filho de uma ilustre Vitoriense, e que está altamente comprometido com esse programa.

O processo de revitalização de um rio é um processo abrangente, com múltiplas vertentes, envolvendo os seguintes aspectos:
  • Financeiro: depende de um aporte significativo de verbas.
    Político: sempre deverá ser feito através de consórcios intermunicipais.
  • Social: envolve o comportamento das populações de cidades e vilas.
  • Direito de propriedade: as nascentes estão confinadas em propriedades privadas.
  • Soluções técnicas inusitadas e até experimentais.
  • Necessidade de suporte tecnológico, de pessoal e equipamentos.
  • E necessita, principalmente, de uma grande fonte de energia para ser implementado: vontade política!

Outro aspecto a considerar, é que os resultados só serão perceptíveis a médio e longo prazo, isso se houver um ritmo constante, e eficácia das ações tomadas.

A NOSSA CIDADE SÓ EXISTE POR CAUSA DO RIO MEARIM.

segunda-feira, 13 de março de 2017

O DESCASO DA CAEMA EM VITÓRIA DO MEARIM - Parte 1

Abaixo, um resumo do que ocorreu em 01/11/2012 durante uma das crises de falta d' água em Vitória do Mearim. Um pouco de história nos ajuda a entender o que se passa no presente.

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VITÓRIA DO MEARIM - Promotoria vai propor TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) à Caema para normalizar fornecimento de água no município – 01/11/2012

...Os funcionários da empresa atribuíram os problemas relatados pelos moradores ao rápido aumento da população, ao grande desperdício causado pelos consumidores das partes mais baixas da cidade e à escassez de chuvas.

...Também destacaram a falta de autonomia financeira da Unidade de Negócios de Santa Inês e a falta da parceria com a Prefeitura de Vitória do Mearim para a resolução dos muitos problemas que têm acontecido no sistema da cidade.

...O gerente da Unidade de Negócios de Santa Inês informou que a Caema instalará uma bomba-motor, que ficará funcionando simultaneamente com outra bomba. Um terceiro equipamento ficará de reserva para o caso da ocorrência de problemas técnicos nos equipamentos.

...Por sua vez, os moradores presentes à audiência questionaram a cobrança abusiva na fatura das contas e destacaram que não se importam em pagar desde que haja o fornecimento regular.

Redação: Adriano Rodrigues (CCOM-MPMA)

Inicio esta análise esclarecendo dois pontos:
  1. O Ministério público fez seu papel constitucional, e ações deste tipo devem ser tomadas sempre que necessário, mas sabe-se que o resultado não depende de uma simples ação unilateral, no caso, do Ministério público.
  2. Os funcionários da CAEMA local não têm culpa da ineficiência operacional da empresa, pelo contrário, são as primeiras vítimas por estarem na linha de frente, em contato direto com os consumidores.

Análise das respostas da CAEMA durante a audiência em 2012.

Segundo a CAEMA, a falta de água em Vitória se devia a:

... o rápido aumento da população...
Argumento inconsistente, haja vista o crescimento demográfico de uma cidade como Vitória do Mearim seguir o mesmo parâmetro de todas as cidades da região, que é de 1,3% a.a., e esse fato não provoca falta de água crônica, em lugar nenhum do mundo. Todo projeto de distribuição de água potável deve ser dimensionado considerando esse parâmetro por um período de 20 anos, e esse sistema com a estação de tratamento, em 2012, tinha somente 9 anos (inaugurado em 2003), o que corresponderia a um aumento de apenas 11,7% da população de 2003.

… ao grande desperdício causado pelos consumidores das partes mais baixas da cidade..
Aqui temos que reconhecer como fato que realmente provoca falta d´água. E os moradores da parte alta não desperdiçam também, porque lá não deve chegar água por muitas horas durante o dia.

A CAEMA é campeã brasileira nesse quesito (dados da própria CAEMA): desperdício maior do que 50%, em TODOS os sitemas que opera. Algo está errado!
Este comportamento do usuário ocorre quando o sistema é desacreditado: todos deixam as torneiras abertas nos tanques ou vazilhames, para aproveitar a chegada da água, geralmente à noite ou de madrugada, e só as fecham pela manhã, ou nem chegam a fechá-las se já estiverem “secas” novamente.

A correção parcial deste problema, num sistema onde há muita interrupção do fornecimento, seria a orientação para o usuário instalar boia em todos os reservatórios, e isso deveria ser acompanhado diariamente pela CAEMA, com abordagens educativas. Sabe-se que este não é o forte da CAEMA.

Quanto ao gasto excessivo de água, por hábito, só a hidrometração pode corrigir. É uma solução delicada, pois não pode ser adotada em sistemas com muita interrupção do fornecimento, para não haver o fenômeno da “medição de ar”, e criar um sério problema administrativo, que irá
aumentar a insatisfação do consumidor, pois vai mexer indevidamente no seu bolso.

... a escassez de chuvas …
quando a CAEMA cita este fato como causador de falta d´água, num sistema abastecido pelo rio Mearim, é porque tem certeza de que sua produção não é suficiente, e conta com a ajuda de S. Pedro para encher reservatórios e cisternas. Aqui temos duas causas fundamentais interdependentes:
  • É claramente o reconhecimento de uma grande falha no dimensionamento do seu sistema.
  • A captação nos meses de estiagem é comprometida pela péssima qualidade da água do Rio Mearim, fenômeno cíclico que deveria ser levado em conta pela CAEMA, no conceito da captação de água bruta. Soluções técnicas, existem.

… a falta de autonomia financeira da Unidade de Negócios de Santa Inês …
Apesar de ser uma informação da época de outro governo (2012), é sim, um fato relevante, de total responsabilidade da CAEMA, e é certo que a nova gestão não vai alterar esse “modus operandi”, mesmo com toda boa vontade do atual Governador.

Isso também reflete falta de planejamento pró-ativo, que é o método gerencial em que evitam-se quebras inesperadas com um bom plano de preventivas e sobressalentes confiáveis à mão, ou conectados em stand-by (prontos para uso).

Ter recurso financeiro em caixa serviria somente para “acudir” nas corretivas emergenciais, ou seja, o famoso sistema quebra-quebra, não para manter um regime operacional confiável e suficiente a longo prazo.

… a falta da parceria com a Prefeitura de Vitória do Mearim para a resolução dos muitos problemas que têm acontecido no sistema da cidade.

Aqui está o retrato da situação em que há “dois responsáveis”: um sempre culpa o outro pelas falhas ocorridas. Tem que haver apenas um “dono do processo”. Uma situação desse tipo, põe um ponto final em qualquer discussão para sanar um problema, que vai continuar e vai aumentar com o tempo.

… a Caema instalará uma bomba-motor, que ficará funcionando simultaneamente com outra bomba. Um terceiro equipamento ficará de reserva para o caso da ocorrência de problemas técnicos nos equipamentos.

Não houve precisão na informação, pois numa ETA existem dois grandes bombeamentos:
  1. da água bruta;
  2. da água tratada;

Colocar mais uma bomba em paralelo significaria reforçar apenas um dos bombeamentos.

Numa Estação de tratamento de Água, o que define sua capacidade de produção é a etapa de “tratamento”, que fica entre os dois bombeamentos citados acima. São módulos em série (uma etapa após a outra) com a seguinte sequência: pré-cloração, decantação, balanceamento do ph com cal, filtração e cloração final, incluam-se também as paradas para manutenção e lavagem de filtros. Portanto, a capacidade de produção da ETA não depende somente de uma bomba a mais ou a menos.

Esse paliativo proposto deixou mais do que claro dois aspectos:
  • que o sistema é deficitário desde o projeto;
  • que somente naquele momento de aperto haveria um equipamento sobressalente (geralmente usado e prestes a quebrar), característica de falha gerencial gravíssima;

Passados 4 anos e alguns meses, fica a pergunta: houve algum resultado positivo em função desse TAC (Termo de Ajustamento de Conduta)? Há água nos bairros altos 24 horas por dia e todo dia da semana?

Se não houve melhora é porque a solução definitiva passa por outro caminho, que no meu ponto de vista, é a municipalização do sistema, juntamente com o seu correto dimensionamento (ampliação e melhorias).

No próximo post contarei a história de mais de meio século de sofrimento, as razões de Vitória do Mearim não ter ainda um serviço de fornecimento de água potável, e darei mais detalhes da necessidade URGENTE da municipalização desse serviço de utilidade pública.