quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

HOMENAGEM À NOSSA BANDINHA

Durante a minha infância e adolescência, sempre gostei de ouvir a nossa Banda Musical Vitoriense, onde quer que se apresentasse: em arraial, procissão ou bailes.
Na semana de festas, em setembro, a Banda se apresentava à noite, antes e depois da novena, no dia 8 também se apresentava pela manhã, antes e depois da missa, e às cinco horas da manhã, diariamente, tocava as alvoradas, e por sorte, os três coretos que antes existiram na Praça da matriz, eram em frente à minha casa. No dia 7, no encerramento do desfile estudantil, tocava os hinos e dobrados.

Quando a banda se apresentava no coreto, eu ficava ao redor, apreciando a música, e prestando atenção em cada músico.

Sempre gostei de ouvir dobrados, e além da nossa bandinha, também ouvia através do rádio: às vezes, de madrugada, eu sintonizava a rádio Aparecida de S. Paulo (AM) para ouvir a "alvorada musical", com o aparelho debaixo da minha rede, o volume bem baixo para não perturbar as outras pessoas.

Um episódio que me marcou muito, aconteceu em um baile realizado no prédio onde funcionava a Prefeitura Municipal, animado pela nossa bandinha. Eu devia ter oito anos de idade, e estava lá, acompanhado dos meus pais, perto da banda. Em determinado momento o baterista, provavelmente seu José Franco, me colocou de pé, ao lado da caixa (tarol), me entregou as baquetas para tocar uma marchinha. Aquilo para mim foi a realização de um sonho. Me lembro que ao terminar a música, os músicos me elogiaram, completando a minha felicidade.

Naquele tempo, quando a banda de Mestre Arico se apresentava em bailes, as músicas da moda eram cantadas no “gogó”, pois não tinha sistema de som. A voz feminina era de Maria do Carmo, filha de Antonio Braga, e a voz masculina era do pistonista Valmir Rodrigues.

Em 2016 surgiu a ideia desta homenagem, quando a minha cunhada Antonia Maria me sugeriu o tema para uma marcha, a ser tocada pelo bloco Filhos da Terra, no carnaval de 2017.

Compus a marcha, cuja letra está abaixo, e a ela estou juntando estes relatos, o link onde a música está disponível na internet, a letra da música e a lista com os nomes dos músicos vitorienses que fizeram parte desta história.

É importante ressaltar que os músicos que iremos  mencionar adiante, eram pessoas que tinham a música como opção de lazer, e desse grupo, poucos sobreviviam apenas da música. Tínhamos então: alfaiate, sapateiro, ferreiro, pedreiro, lavrador, "enfermeiro prático", ourives, estivador e comerciante.

Aos que estão presentes e aos familiares dos que nos deixaram, a nossa sincera gratidão por terem construido e mantido este legado cultural da nossa terra.

Nossa gratidão e reconhecimento também,  aos novos músicos vitorienses, que ao longo do tempo estão assumindo a missão de manter viva a nossa bandinha.

Para ouvir a marcha, na sua versão original, acessar o link:

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Música: Nossa Bandinha
Autor de letra e música: Pedro Barros Neto
Arranjo, execução instrumental e mixagem: Pedro Barros Neto.
Voz: Dagmar Pereira Barros

Vem de longe o legado
Que mestre Arico deixou
Um feito de muito valor,
Que merece a nossa homenagem.

Ensinou a arte musical
A tantos músicos Vitorienses.
Tocando e ensinando
E assim formou,
A nossa “Bandinha”.
Tocando e ensinando
E assim formou,
A nossa “Bandinha”.

O Mestre Vicentre Braga
E o Mestre João Cantanhede
Tocando e ensinando
Os novos músicos
Da nossa “Bandinha”.
Tocando e ensinando
Os novos músicos
Da nossa “Bandinha”.

Quem vai tocar no carnaval?
É a nossa “Bandinha”.
Quem vai tocar no arraial?
É a nossa “Bandinha”.
(Repete o refrão)

solo instrumental

Vem de longe o legado
Que mestre Arico deixou
Um feito de muito valor,
Que merece a nossa homenagem.

Ensinou a arte musical
A tantos músicos Vitorienses.
Tocando e ensinando
E assim formou,
A nossa “Bandinha”.
Tocando e ensinando
E assim formou,
A nossa “Bandinha”.

Da velha guarda também
Tem Mestre Oscar e seu piston
Tocando com os jovens talentos
Mantendo viva,
A nossa “Bandinha”.
Tocando com os jovens talentos
Mantendo viva,
A nossa “Bandinha”.

Quem vai tocar no carnaval?
É a nossa “Bandinha”.
Quem vai tocar no arraial?
É a nossa “Bandinha”.
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MÚSICOS VITORIENSES DA VELHA GUARDA, QUE ATUARAM DESDE OS ANOS 50.
A MAIORIA PARTICIPOU DA BANDA MUSICAL VITORIENSE, DIRIGIDA PELO MESTRE ARICO FRANCO.
HOJE A BANDA VITORIENSE ESTÁ RENOVADA E É MANTIDA PELA PARÓQUIA DE N.S. DE NAZARÉ.

TUBA
Juarez de Jesus Prazeres
Antônio Izaías Gonçalves, “Antonio Braga”
Doquinha Franco
Manoel Oliveira
Os três últimos foram discípulos de
Temístocles Lima, que foi também o mestre de Arico Franco)


TROMBONE
Lourival José Coelho (Louro)
Itacy de Mattos Figueiredo
Antônio Duarte Cantanhede
Vicente Antônio Gonçalves, “Vicente Braga”
(com a participação, inicial e episódica, de
Marcelino Duarte Cantanhede e
Saul Rodrigues – também discípulos de Temístocles Lima)

BOMBARDINO
Antônio Duarte Cantanhede

TROMPA
Francisco Marinho (“Chico de Hermógenes”)
Milton Soares (“Milton de João do Casino”)

PISTON / TROMPETE
Augusto Sarmento
Valmir Rodrigues
Ary Cardoso Franco (iniciou adolescente. Filho de José Franco)
Oscar Rocha Pinto ( há muitos anos veio de S. Lourenço para Vitória, onde atuou junto com Vicente Braga e João Cantanhede, e continua na ativa).

CLARINETE
Áureo Bartolomeu Franco (Mestre Arico)
João Cantanhede
Antônio Cardozo
Sebastião Jardim

SAX ALTO
Rubem Bezerra Franco
Áureo Bartolomeu Franco (Mestre Arico)

SAX TENOR
Benedito Figueiredo (“Seu Bina”, discípulo de José Martins, de Arari)

BATERIA
José Franco
José Macário
Arão Rodrigues Figueiredo Filho

PRATOS
Manequinho Melo

MARACÁ
José Cordeiro
Domingos Marinho Neto (participação episódica)

PANDEIRO
Graci Garros (irmão de Deoclides Batista)
Dário Soares (“Dário de João do Casino”)

BANJO
Deoclides Garros Batista
Quinzinho Cardozo
Vicente Braga

 VOCALISTAS
Maria do Carmo Gonçalves Sampaio (Socorro Braga)
Valmir Rodrigues



Músicos de São Lourenço (originários de Cajari, segundo Vicente Braga)

BANJO
Raimundo Aragão

CLARINETE
Raimundo Maciel

SAX ALTO:
José Serejo
Deodato Santos

PISTON
Osmarino (filho de Deodato Santos)

Outros músicos vitorienses dos anos 60 e 70:
Beline Vieira (Manisoba) – tocava Sax Tenor na banda da Polícia Militar do Maranhão.
José Carlos Garros – sax alto.
Dulcinea Barros Muniz - organista da igreja de N.S. de Nazaré
Antonio Pereira do Nascimento (Tonico de Biné) – Baterista
Antonio Eliziário de Souza (Sinhô Lima) - Banjo, cavaquinho e baixo.
Frank Dutra - Banjo
Bimbão - Pandeiro (filho de Antonio Braga)
Rui Viana - Violão
Pedrinho Moisés (Pedrinho Italiano) - Violão


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